"TIVE UM APAGÃO", AFIRMOU O CRIMINOSO
Em depoimento durante julgamento, Luiz Felipe Sampaio, de 22 anos, réu por atacar com 15 facadas a jovem Alane Anísio Rosa, de 20 anos, disse que "não se lembra de nada". Afirmou que teve "um apagão".
A vítima foi atingida com os golpes na cabeça, no rosto e no pescoço, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano.
Passou por uma cirurgia de cerca de cinco horas para a reconstrução de uma veia importante do pescoço. Ela chegou a ser extubada, mas precisou ser entubada novamente após apresentar agitação, na época.
Durante o depoimento, o acusado confirmou que pulou o muro da casa da vítima após ter o pedido de namoro rejeitado. No entanto, alegou ter sofrido um “apagão” e disse não se recordar do ataque.
“Pedi pra conversar, ela me deu um fora… depois disso, não lembro de mais nada”, afirmou.
Ele disse que só voltou a ter consciência quando já estava ferido e ensanguentado.
Apesar de alegar falta de memória, o réu afirmou lembrar de momentos importantes após o crime, como a tentativa da mãe da jovem de afastá-lo da filha.
A mãe de Alane, Jaderluce Anísio de Oliveira, revelou que a filha foi atacada após negar um pedido de namoro de Luiz Felipe Sampaio, jovem qual Alana não tinha qualquer proximidade e só conhecia através da academia.
O rapaz teria chegado a enviar mensagens e presentes de forma insistente para a jovem.
Na véspera do crime, Luiz Felipe tentou se aproximar da moça, mas foi rechaçado pelo cão da família.
Em 6 de fevereiro, de acordo com parentes, o homem teria conseguido invadir a casa de Alana e esfaqueado a jovem.
A mãe dela chegou ao local pouco depois da agressão e encontrou o agressor atacando a filha com facadas no rosto.
Ele permanece preso por tentativa de feminicídio na Cadeia Pública Juíza Patrícia Acioli, em São Gonçalo, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária.
INTERNAÇÃO
Durante o período de tratamento, a estudante chegou a ficar em coma induzido e recebeu assistência ventilatória antes de apresentar melhoras clínicas.
Nas últimas semanas ela saiu do Centro de Terapia Intensiva (CTI) e foi transferida para um quarto, evoluindo bem até a alta.
Ao deixar a unidade de saúde, Alana foi aplaudida por profissionais da equipe médica e recebeu homenagens de familiares, amigos e apoiadores reunidos do lado de fora do hospital, com pedidos por justiça para a vítima. Ela deixou o local em cadeira de rodas e ainda com curativos, reflexo dos ferimentos nos braços, rosto, ombros e mãos.
A mãe relatou inclusive a vontade da jovem de voltar a estudar para se preparar para prestar vestibular em medicina. “Ela está doida para voltar a estudar. Perguntou quando poderá voltar a estudar”, contou Jaderluce.